Cores Primárias - Torres Garcia no Brasil
Imprimir

Torres Garcia no Brasil

Escrito por Da Redação. Posted in América Latina

Laços refeitos, enfim!

 

                A mostra de “Joaquín Torres García -Geometria, criação,proporção”, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, e,  na Fundação Iberê Camargo  no final do ano passado, traz um expressivo recorte do acervo do Museu Torres Garcia, do Uruguai  para o Brasil ( leia matéria nesta página) e tem uma significação de extrema importância, depois do nefasto incêndio ocorrido no MAM do Rio de Janeiro, em 1978, quando 80 obras do artista foram totalmente destruídas. Obras que faziam parte de uma retrospectiva histórica do artista, cuja perda atingiu uma dimensão incalculável. O evento comemora uma reaproximação, ou uma retomada de confiança daquele país  nos museus do Brasil, que ficou, por certo, abalada depois da tragédia. É bom lembrar que essa aproximação  foi reiniciada em 1994, por ocasião da XXII Bienal Internacional de São Paulo, quando uma das 26 salas especiais criadas pelo curador Nelson Aguilar, abrigou as obras do artista (leia matéria nesta página). Em 2007, foi a vez do Museu Oscar Niemayer, em Curitiba, receber do mesmo museu uruguaio, as coleções dos brinquedos de madeira desmontáveis do artista, seus desenhos e algumas pinturas. Para sermos mais exatos: foram expostos 130 trabalhos no total de 24  brinquedos, 98 desenhos e 8  pinturas da fase de Paris. Cores Primárias lá esteve e pode registrar a excelente acolhida do museu paranaense.

 

                 Enfim, para o meio cultural do Brasil, para os frequentadores de museus e pesquisadores da Arte, há bons motivos para se comemorar nessa oportunidade.

               Tudo indica que  a proximidade com o museu uruguaio,  pode solidificar-se à medida em que os museus brasileiros demonstrem  maior seriedade para garantir uma  estrutura de segurança satisfatória para os acervos, os próprios e os convidados de outras instituições. Nem tudo é resolvido pelo calculo objetivo das vultuosas somas, exigidas para os seguros das obras. Para o público, não para colecionadores, por certo, uma obra perdida é uma obra perdida. É o rastro de um artista que se apaga.

               Torres Garcia possui uma vasta e diversificada obra: pinturas, esculturas, desenhos, aquarelas, artefatos de madeira variados , dezenas de escritos-descobertas de si mesmo, e do mundo. Enfim, muito ainda há  para se pesquisar sobre o criador da Escuela del Sur. E os melhores momentos são esses, que nos permitem a proximidade com a obra.

                      Laços de confiança refeitos, enfim!