Cores Primárias - Edição 13

Exposições

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Guerra e Paz - Parte I

Escrito por Margarida Nepomuceno. Posted in Exposições

                   “Não conheço nenhuma grande arte

                   que não esteja intimamente ligada ao povo”

Portinari, Buenos Aires, 1947.

                   Nem o próprio filho de Portinari (1903-1962), João Candido, há mais de 30 anos à frente do Projeto Portinari,  poderia prever que os painéis Guerra e Paz, instalados desde 1957 no edifício-sede da ONU- Organização das Nações Unidas-, em Nova York, estariam aqui no Brasil, para as homenagens dos cinquenta anos da morte do artista. “Ninguém imaginava que Guerra e Paz pudesse um dia, voltar ao Brasil”, declarou. Até o momento, cerca de 170 mil pessoas , dentre elas 44 mil pessoas que assistiram a inauguração dos painéis no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em dezembro de 2010 ,  e o restante em São Paulo,  onde os painéis estão expostos desde março deste ano no Memorial da America Latina,  podem ver uma das obras mais representativas do modernismo brasileiro. É bem provável que o número de espectadores atual seja ultrapassado em muito essa marca, uma vez que depois de encerrada a mostra em São Paulo, o que se dará em 20 de maio, Guerra e Paz deve ir para o Museu de Oslo, Noruega, e  Museu da Paz, em Hiroshima. Está prevista ainda, uma exposição-despedida no Rio de Janeiro antes que os painéis sejam devolvidos à ONU. 

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Guerra e Paz - Parte II

Escrito por Margarida Nepomuceno. Posted in Exposições

Da altura de um prédio de 4 ou 5 andares,

os painéis  foram desmontados um a um

                   Os documentários colocados à disposição na mostra do Memorial registram algumas das etapas do Projeto Guerra e Paz:  uma operação que exigiu uma logística extremamente complexa. Depois de uma polêmica levantada em torno das possibilidades de retirada dos painéis do saguão de entrada da ONU, resolvida pelo próprio Brasil, que apresentou um documentário feito em 1957 sobre a montagem dos painéis,  e do laudo pericial, permitindo a retirada, deu-se o processo de desmontagem. 

 

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Guerra e Paz - Parte III

Escrito por Margarida Nepomuceno. Posted in Exposições

Portinari resiste à doença:

"Não posso mais pintar" ... "estou proibido de viver"

                        O Salão de Atos Tiradentes, no Memorial da America Latina, abriga os dois painéis, o da Guerra e o da Paz, ambos de frente um para o outro. Cada um tem 14 metros de altura por 10 metros de largura e são compostos por 28 placas de madeira naval, com 2,2 metros de altura por 5 de largura, pesando 75 quilos cada. Recursos cenográficos e áudio visuais valorizam cada um dos detalhes das obras, chamando atenção para a relação de cada “cena”, ou “personagem” , pintados por Portinari  com os conceitos elaborados  por ele sobre a guerra e a destruição , bem como sobre a paz e a solidariedade mundial. 

 

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Guerra e Paz - Parte IV

Escrito por Sabina Uribarren. Posted in Exposições

Novas técnicas no restauro

identificaram os traços primários de Portinari

 
Sabina Uribarren*
especial para Cores Primárias
 
    
Acervo Virginia Motta
 
                Os trabalhos de restauração dos painéis Guerra e Paz orientados por Edson Motta Junior,  fizeram parte de um projeto mais amplo que contemplou também a análise científica dos materiais e técnicas dos painéis  através de um convênio de cooperação com o LACICOR, Laboratório de Ciência da Conservação da UFMG. Foram realizados registros do estado da obra, de forma a criar arquivos fotográficos da mesma. 
                 O uso de raios x, infravermelhos e ultravioletas permitiram identificar as cores utilizadas e os traços primários de Portinari cuja revelação colaborou para a tomada de decisões de restauro.
                 Como já foi mencionado anteriormente (Guerra e Paz II), os trabalhos de restauro foram realizados na  sede do Ministério da Educação do Rio de Janeiro por uma equipe de 18 restauradores que se dedicou tanto a recuperação da ordem cromática da obra quanto a sua limpeza e a fixação de áreas descoladas.
                O trabalho de limpeza e restauração de cor foi realizado com pequenos retoques em áreas arranhadas ou com desbotamento persistente. Resinas especiais importadas dos Estados Unidos e da Inglaterra solucionaram o problema do desbotamento decorrente da exposição dos painéis à luz natural: recuperaram a tinta ao substituir o óleo presente na composição do material. Também foi acrescentada uma espécie de “filtro solar” aos painéis para protegê-los dos raios ultravioletas. 
                 Até finais de 2010, a obra não tinha passado por nenhum tipo de restauro desde sua instalação e apresentava um estado relativamente bom de manutenção, segundo Motta.