Cores Primárias - Guerra e Paz - Parte II
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Guerra e Paz - Parte II

Escrito por Margarida Nepomuceno. Posted in Exposições

Da altura de um prédio de 4 ou 5 andares,

os painéis  foram desmontados um a um

                   Os documentários colocados à disposição na mostra do Memorial registram algumas das etapas do Projeto Guerra e Paz:  uma operação que exigiu uma logística extremamente complexa. Depois de uma polêmica levantada em torno das possibilidades de retirada dos painéis do saguão de entrada da ONU, resolvida pelo próprio Brasil, que apresentou um documentário feito em 1957 sobre a montagem dos painéis,  e do laudo pericial, permitindo a retirada, deu-se o processo de desmontagem. 

 

                   João Candido acompanhou todo o processo: “à medida que as partes da cada painel iam descendo, escreveu,  a emoção ia aumentando”. Com altura de um prédio de 4 ou 5 andares, as placas que estavam no alto dos painéis foram vistas com proximidade, pela primeira vez. Duzentos e oitenta ( 280) metros quadrados de pintura e cerca de 2,3 toneladas de material, foram trazidos para o Brasil em três viagens, direto para o Rio de Janeiro onde de fevereiro a maio de 2011,  uma equipe de 18  profissionais, dirigida por Edson Motta Junior, realizou os trabalhos de restauração nos painéis. Ainda nos EUA, a mesma equipe de restauro esteve na sede da ONU para elaborar  laudos e fornecer um diagnóstico dos serviços necessários. Segundo Motta, os painéis estavam em bom estado, apesar de nunca haverem sido restaurados anteriormente, e  o resultado do trabalho conseguiu recuperar de 90 a 95% da ordem cromática original. Pintados diretamente na madeira, os painéis foram colocados em uma estrutura de ferro a uma distancia da parede que evitou que fossem danificados pela umidade. As obras de restauro tiveram lugar no Palácio Gustavo Capanema,  em ateliê aberto para que o público, sobretudo estudantes, tivessem conhecimento do processo de pintura utilizado pelo artista e do processo de restauro das obras.

                   O projeto pedagógico foi coordenado por Suelly Avelar, do Projeto Portinari, que junto ao Núcleo de Museologia da Expomus, elaboraram material, palestras e visitas para que os estudantes e profissionais ligados à arte, tivessem acesso a esse trabalho.  (ler matéria nesta página sobre a restauração dos painéis em entrevista concedida por Edson Motta à Sabina Uribarren).

                   Em dezembro de 2010, o Projeto Guerra e Paz e o Teatro Municipal do Rio de Janeiro abriram suas portas para que o público pudesse ver os painéis já montados no palco e recém restaurados. Essa foi uma escolha histórica dado que no mesmo local, em 1957, os mesmos painéis foram apresentados à sociedade brasileira, pelo governo de Kubitschek, antes de serem doados à ONU.  Durante 12 dias, cerca de 44 mil pessoas passaram por lá.

Galeria do artista

Guerra e Paz está no Memorial da America Latina desde 7 de fevereiro deste ano e ficará até dia 20 de maio, próximo final de semana.
A visitação vai de terça a domingo, das 9h às 18h.
Av. Moura Andrade, 664
Metro Barra Funda
São Paulo- Capital